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Cap. 01 - Sozinho (Gota no Oceano)

Créditos da Imagen: Mark Anthony Avilla (mark331)

CAP. 01 - Sozinho

Ele nem sequer olhou para trás… Por que… Por que ele não se vira? Ele poderia dizer agora “É uma brincadeira, Froakie! Vamos para casa!”. Minhas lágrimas atrapalham muito minha visão… Já perdi ele de vista… Ainda estou cansado da última batalha… Não consigo correr mais…

Mas… Naquele dia… Parecia tudo tão perfeito… Eu me lembro como se fosse hoje. Estava tudo tão tranquilo no Laboratório. Estava tão ansioso para ver meu novo treinador. Aliás, meu primeiro treinador! Eu nem sabia que expressão fazer se eu fosse escolhido. Meus companheiros do lado estavam mais tranquilos que eu, com um ar de que sabiam que iam ser escolhidos.

Eu esperei por um bom tempo. Por ironia do destino e surpresa dos meus colegas, eu fui escolhido antes deles. Pude ouvir o Professor falando do lado de fora: “Seja bem vindo, Billy! Pode escolher o seu Pokémon! Logo em seguida, irei lhe dar as instruções básicas!”. Ele veio até a minha pokebola na qual eu estava e disse: “Quero esse, Professor! Espero que seja bem forte!”. Naquele momento meu coração acelerou tanto que já nem sabia mais como me comportar diante dele.

Ao sair da pokebola, eu estava muito emocionado! Pulei direto nos braços dele! Billy deu um sorriso para mim e disse que tinha certeza que eu era perfeito para a jornada que ele faria. Tentei me comportar voltando para o chão. Eles falavam coisas como: número limite de pokémons para capturar, que a PokeDex ia dar informações, entre outras coisas que não entendi.

Ele me pôs de volta para minha pokebola e seguiu viagem. Que tipo de aventura nós iríamos ter? Minha animação foi tão intensa que eu jurei para mim mesmo que iria dar o meu melhor na minha primeira batalha. Fomos para diversos lugares: florestas, rios, clareiras… Eram lugares mágicos para mim, pois me davam lembranças da minha terra natal.

Aí o dia mais esperado chegou! A primeira captura de Billy. Ele parecia tranquilo, mas sua mão tremia um pouco. Mesmo estando na pokebola pude notar isso. Ao sair, já fiz uma expressão nada agradável para meu adversário. Tratava-se de um Litleo. Ele parecia ser bem forte, já estava prevendo que eu ia ficar bem machucado depois dessa luta, porém eu tinha a vantagem!

Sinceramente? O Lança chamas dele doía menos que sua Investida. “Froakie! Jato D’água!” Não pensei duas vezes, usei todas as minhas forças para executar este movimento. Depois de uma luta intensa, finalmente vencemos! Mesmo resistindo, o Litleo foi capturado.

Tínhamos um novo amigo. Apesar de cansado, pude notar muita coisa naquele momento. Eu pensei que era impressão minha, eu via mais felicidade no rosto de Billy ao conseguir aquele pokémon de fogo do que quando me viu pela primeira vez. Naquele dia não fazia ideia do que estava por vir…

Depois vieram outros companheiros: Zubat, Skiddo e Scraggy. Todos éramos muito parceiros. Sempre que íamos batalhar, ficávamos dando dicas de longe um para o outro. Mas algo me incomodava. Billy parecia dar mais atenção aos meus irmãos do que para mim. Eu me perguntava muito: “O que eu fiz de errado? Fui mal educado? Fiz algum movimento que ele não ordenou? Comi demais?” 

Então surgiu um Corphish em nosso caminho. Só de lembrar desse dia, já sinto as dores... Billy se mostrou muito interessado nele. Realmente parecia ser um pokémon bem forte! Suas patas brilhavam, sua carapaça parecia ser muito resistente. “Vamos ver qual de vocês é o mais forte.” Não ia ouvir isso sem dar o meu melhor naquela batalha.

Eu sabia que meu Jato de água não iria funcionar, então tentei evitar. Parece que cada ataque daquele Corphish era como uma rocha bem grande caindo em cima de mim. Em poucos minutos eu já estava no chão e mal conseguia olhar para meu oponente. Antes do golpe final, Billy me trouxe de volta para a pokebola. Pude ver em seu rosto uma expressão de decepção. Acho que jamais vou me esquecer disso…

Tudo em mim doía, mas quando eu entrei na pokebola a dor foi diminuindo aos poucos. Pude ouvir a luta seguindo, dessa vez quem lutava era Scraggy. Mesmo fraco, torcia para que meu irmão ganhasse! Cheguei até a me contorcer um pouco. Com a ajuda dele, Billy pode enfim capturar o Corphish. Ele estava muito feliz com essa conquista.

Naquela noite, todos fomos para um quarto de hotel na qual Billy havia nos colocado para fora da pokebola, pois ele tinha medo de dormir sozinho naquele local desconhecido. Eu mal dormi direito, porque minhas feridas doíam muito e também queria defender meu treinador enquanto ele descansava.

No meio da madrugada, o Corphish veio falar comigo. Disse que eu lutei muito bem e que eu era o adversário mais forte de água que ele já tinha enfrentado. Saber disso me deu uma tranquilidade tão boa que eu enfim consegui dormir. No dia seguinte, eu acordei em uma floresta. “Onde estão todos? Onde estão meus irmãos? Por que estamos em uma floresta? Billy? Porque está olhando assim para mim?”. Eu não imaginava que aquele dia seria o pior dia da minha vida…

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